
No dia 28 de dezembro, a Igreja Católica celebra os Santos Inocentes, considerados os primeiros mártires do cristianismo e padroeiros das crianças abandonadas e em situação de vulnerabilidade. A memória litúrgica convida os fiéis a refletirem sobre o valor da vida, especialmente da infância, e sobre o compromisso da Igreja e da sociedade na proteção dos mais frágeis.
O padre Robert Araújo, assessor eclesiástico da Comunicação na Arquidiocese de Teresina, explicou quem são os Santos Inocentes e por que a Igreja os reconhece como mártires.
“Os Santos Inocentes são aqueles que primeiro deram a sua vida por Cristo. A Sagrada Escritura, no capítulo 2 do Evangelho de Mateus, recorda a perseguição ordenada por Herodes, que mandou matar todas as crianças de até dois anos. Esses pequeninos, mesmo sem consciência, morreram por causa de Cristo e, por isso, abriram o livro dos mártires da Igreja”, explicou.
Segundo o sacerdote, a celebração vai além da memória histórica e provoca uma reflexão sobre a realidade atual vivida por muitas crianças. “A memória dos Santos Inocentes nos faz recordar que ainda hoje existem muitas crianças em situação de vulnerabilidade, que precisam de atenção. A infância é uma etapa privilegiada da vida humana e deve ser sempre respeitada em todos os âmbitos, sejam eles social, religioso ou familiar”, destacou.
Ele também ressaltou que situações como fome, abandono, trabalho infantil e abusos continuam ferindo a dignidade das crianças e exigem uma postura firme da sociedade. “Nós precisamos ter a força e a coragem de não permitir que nenhuma criança se encontre nessas situações. É necessário garantir dignidade, proteção e um futuro seguro para elas”, afirmou.
Padroeiros das crianças vulneráveis
Em diversos pronunciamentos ao longo de seu pontificado, o Papa Francisco chamava a atenção para tantas crianças que viviam longe da escola, em situação de desnutrição, abandono e violência. Ao recordar esse ensinamento, o padre Robert explicou por que os Santos Inocentes são considerados padroeiros das crianças abandonadas. “O sofrimento delas nos remete àquele primeiro sacrifício dos pequeninos que morreram por ódio, assim como acontece ainda hoje”, pontuou.
Para o sacerdote, a figura de Herodes continua presente na realidade atual sempre que a infância é ameaçada. “Quando olhamos para as crianças que morreram inocentemente no passado, somos chamados a proteger aquelas do nosso tempo, para que tenham um futuro digno e sejam preservadas de todos os perigos que ainda persistem”, disse.
A celebração também reforça a responsabilidade dos cristãos na defesa da vida desde a infância. “São Tiago nos ensina que a fé sem obras é morta. Os cristãos têm uma responsabilidade social concreta de cuidar, educar, transmitir valores e garantir que as leis sejam respeitadas, para que as crianças tenham sua infância preservada. A Igreja colabora com a sociedade civil ao estar atenta às realidades de sofrimento e ao promover ações concretas de proteção aos menores”, enfatizou.
Celebrada dentro do tempo do Natal, a memória dos Santos Inocentes revela, segundo o sacerdote, a missão de Jesus e o cuidado com a vida desde o início.
“O Natal é a visita de Deus que se faz pequeno e frágil. Jesus se coloca em nossas mãos como um inocente, confiado aos cuidados de Maria e de José. Isso fala da abertura à vida e do valor da infância como dom de Deus. Que possamos acolher essa salvação que Deus coloca em nossas mãos e transformá-la em gestos concretos de amor, justiça, paz e cuidado, especialmente com as crianças. Que Cristo, a luz do mundo, habite cada vez mais a nossa vida”, concluiu.