Com o tema “Migração e Esperança” e o lema “Sempre no Caminho com os Migrantes”, a Arquidiocese de Teresina realizou, entre os dias 15 a 27 de junho, a 32ª edição da Semana do Migrante. O objetivo foi sensibilizar a sociedade para a realidade das pessoas migrantes e fortalecer ações de acolhimento, inclusão e defesa de direitos.

A programação contou com atividades de espiritualidade, visitas à rodoviária, momentos de escuta, ações com idosos, estudos e encontros nas comunidades e celebração eucarística na Capela São Miguel Arcanjo. Um dos destaques foi a roda de conversa realizada na Vila Uruguai, que reuniu agentes pastorais, lideranças comunitárias e migrantes para refletir sobre os desafios e avanços ao longo desses anos de atuação da Pastoral do Migrante na capital.
Coordenadora arquidiocesana da pastoral, Socorro Oliveira reforça que o foco principal da iniciativa é acolher. “A missão da Pastoral do Migrante é cuidar dos migrantes e empobrecidos, dar a essas pessoas a chance de se sentirem parte de uma comunidade”, explica.

Ela lembra que o migrante carrega uma esperança viva. “Ele sai da sua terra sem saber onde vai parar, e quando chega, precisa encontrar alguém que o acolha. Apesar da falta de uma casa de acolhimento fixa em Teresina, a pastoral se articula com vizinhos e amigos para garantir hospedagem e apoio temporário. O importante é que a pessoa se sinta amparada”, conclui.
Maria da Luz, agente da pastoral na Vila Uruguai, também testemunha os frutos do trabalho. “A pastoral acolhe quem mais precisa, especialmente os que se sentem rejeitados até dentro da própria comunidade”, diz. Com visitas frequentes e escuta ativa, ela e outros agentes ajudam a resgatar a autoestima de muitos. “Já escutei pessoas dizendo que não vão mais à igreja porque ouviram algo que não agradou. Nosso papel é resgatar essas pessoas com carinho”, relata.
Atuando como agente da pastoral desde 2010, Valdinar Edson conta que foi tocado pelo exemplo de uma irmã religiosa que acolhia famílias sem moradia. “Ela me apresentou à pastoral e comecei a participar das assembleias. Nunca mais parei”, lembra. Além do acolhimento emergencial, ele destaca a atuação nas periferias. “Levamos formação, evangelização e, quando possível, cestas básicas. Já tivemos apoio do Ministério do Trabalho para atender diversas famílias”, pontuou.
Maria Antônia, beneficiada pelas ações da Pastoral e moradora da região, também compartilhou seu testemunho. Inicialmente, ela não se via como migrante por ter nascido em Teresina, mas entendeu que sua trajetória também é marcada pelo deslocamento. “A gente morava na cidade de União e depois voltou para cá. No começo eu recusei o convite para participar da pastoral, mas há quatro anos aceitei e foi transformador”, conta. “Servir é isso, perceber o que a pessoa está necessitando e ajudar. Me encontrei nesse trabalho”, finalizou.


A Pastoral do Migrante completa quase quatro décadas de história em Teresina, com atuação essencial nas regiões mais carentes e presença constante junto aos que mais necessitam. Com fé, compromisso e solidariedade, seus agentes seguem firmes na missão de acolher, cuidar e defender a dignidade de todos.

