Os bispos do Brasil aprovaram, durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os dias 15 e 24 de abril, em Aparecida, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). A Assembleia teve como foco a discussão e aprovação do documento final, que irá orientar a ação evangelizadora da Igreja nos próximos seis anos.
O estado do Piauí esteve representado no encontro pelas oito dioceses piauienses. Da Arquidiocese de Teresina, participaram o arcebispo metropolitano, Dom Juarez Marques, e o arcebispo emérito, Dom Jacinto Brito.
O arcebispo metropolitano de Teresina, Dom Juarez Marques, destacou que, diante de uma época marcada por mudanças e desafios, as diretrizes servem como orientação para as ações pastorais da Igreja.
“A Assembleia Geral Ordinária da CNBB é um organismo e um espaço, primeiramente, de comunhão eclesial, de escuta e de tomada de decisões. As novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil constituem, digamos assim, um marco referencial de orientações pastorais para a nossa ação a partir desse momento repleto de novidades e possibilidades”, explica.
Processo de elaboração das novas diretrizes
O processo de elaboração do documento das DGAE durou cerca de quatro anos. Conforme explica Dom Juarez, devido à realização da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023, não foi possível aprovar as novas diretrizes. Em seguida, com o falecimento do Papa Francisco, em abril de 2025, e a eleição do Papa Leão XIV, a Assembleia Geral da CNBB foi adiada para 2026.
“Durante esses anos, nós nos preparamos para realizar a Assembleia e nela o tema central: a aprovação das novas diretrizes. A comissão que elaborou o texto provisório fez um texto muito bonito. Inicialmente, em 2025 com o cancelamento e o adiamento da Assembleia, foi disponibilizado esse texto para que nós usássemos nas nossas assembleias, com o momento de estudo e reflexão, mas, também, momento de enviar, enquanto dioceses e arquidioceses, as nossas contribuições para a elaboração das diretrizes definitivas. Ainda em 2025, nós enviamos várias sugestões, a partir de nossa realidade pastoral. E isso demonstra esse espírito da sinodalidade, com a conversação no espírito e com o espírito”, explica o arcebispo.

Antes da aprovação, a comissão responsável pelas diretrizes, presidida por Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), destacou que quase 90% das emendas foram incorporadas no documento final. As novas diretrizes foram aprovadas por 294 bispos e os presentes aplaudiram de pé o documento que guiará as ações pastorais nos próximos seis anos.
Diferente dos anos anteriores, em que o prazo de duração das DGAE era de quatro anos, o documento aprovado neste ano é válido até 2032. Dom Juarez enfatiza que o percurso de construção das novas diretrizes foi marcado pela sinodalidade e escuta das necessidades do mundo atual, proporcionando uma evangelização de acordo com as diversas realidades.
“Nosso objetivo principal é evangelizar anunciando Jesus Cristo e uma igreja sinodal. Então, veja o desafio de ser uma igreja sinodal nesse mundo plural em que nós vivemos: um Brasil de “Brasis”, com realidades distintas em cada local, em cada igreja, porém, essa é a meta principal e o caminho é Cristo Jesus. As diretrizes respondem aos desafios que hoje são presentes, que não são os mesmos desafios do início do século. Não somos mais uma igreja da cristandade, mas marcada pelas novas tecnologias e pelo mundo digital, e os desafios do presente, por exemplo, a Inteligência Artificial. Então, é um mundo que traz muitas possibilidades, mas também há desafios”, enfatiza.
As orientações do documento final das DGAE
O documento final das DGAE é dividido em seis capítulos:
1º Capítulo: A Igreja: tenda do encontro
2º Capítulo: A escuta dos sinais
3º Capítulo: Discernimento para uma Igreja Sinodal
4º Capítulo: Povo de Deus em missão
5º Capítulo: Caminhos da Missão
6º Capítulo: Compromissos sinodais
Ao sublinhar o primeiro capítulo, Dom Juarez reflete sobre o papel da Igreja como uma “tenda de encontro” que acolhe a todos e que precisa alargar-se, como atitude de escuta do tempo presente.
“É preciso caminhar como igreja sinodal que precisa alargar a tenda, escutar esse sinal dos tempos que são presentes hoje. Discernir como igreja sinodal, toda essa caminhada conjunta de comunhão, de participação e de missão, reconhecer aqui o povo de Deus presente na missão. Com a extensão do tempo das diretrizes a gente tem tempo de, primeiramente, de acolher, começar a vivenciar, depois, tempo de avaliar e de prosseguir aperfeiçoando aqueles aspectos que precisam”, pontua.

De acordo com o arcebispo, o documento também destaca a missão evangelizadora da caminhada de Iniciação à Vida Cristã. “Diante desse mundo plural que nós vivemos, precisamos ter convicção de fé. Essa convicção só acontece a partir do encontro com Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida. E esse encontro dá convicção de fé e um novo horizonte à vida, como dizia o Papa Bento XVI. E esse horizonte novo à vida é a gente se tornar discípulos fiéis a Cristo Jesus, fortalecer as nossas comunidades eclesiais missionárias”, explica.
No sexto capítulo, Dom Juarez menciona a proposta do documento dos três âmbitos de conversão: das relações, dos processos e dos vínculos.
“Na conversão das relações é preciso essa conversão no mundo da comunicação, no mundo da família, fortalecer os nossos conselhos de pastoral. Na conversão dos processos nós precisamos caminhar como um processo, porque a gente tem uma tendência de viver muito fragmentado. A igreja é plural, muitas expressões, muitos dons, muitos carismas, todos eles suscitados pelo Espírito Santo, mas não podem caminhar de forma desconectada. Depois aqui entra a conversão dos vínculos: os organismos do povo de Deus, as pastorais, o Pacto pela Educação Global, o ecumenismo, o diálogo com outras expressões religiosas. Nós não somos nossas diferenças, mesmo de fé, isso não deve nos aniquilar uns aos outros, mas nos complementar, tudo deve ser marcado pelo respeito e pelo diálogo”, explica.
A 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), marcada pela discussão e aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja, representa o desejo verdadeiro da Igreja Particular em superar o individualismo e abraçar os desafios do mundo atual. O documento final das DGAE estará disponível após a correção do texto, nas próximas semanas.