No último sábado, 9 de novembro, a Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Teresina, em parceria com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e outras instituições, realizou o I Seminário sobre Doutrina Social da Igreja, Povos Originários e Comunidades Tradicionais. O evento aconteceu no Auditório Paulo VI, reunindo lideranças, autoridades e representantes de comunidades indígenas para abordar os desafios e violações de direitos enfrentados por esses grupos no Piauí.
De acordo com o padre Ladislau da Silva, membro da organização do evento, o seminário teve como objetivo discutir temas urgentes, como a defesa dos direitos das comunidades indígenas e a preservação ambiental.
“Este momento foi um sinal de esperança em meio aos desafios enfrentados por essas populações. O seminário marca um momento histórico e promissor. A expectativa é de que esta seja a primeira de muitas iniciativas em prol da defesa dos direitos das comunidades indígenas e tradicionais”, disse. O evento também marcou a criação da da Pastoral Indigenista no regional Nordeste 4, reafirmando o compromisso da Igreja com os povos indígenas e seu papel nas questões sociais e humanas.

O presidente da Comissão Arquidiocesana de Direitos Humanos, Dr. Carlos Wagner Araújo Nery da Cruz, destacou que o encontro visou não apenas ouvir, mas promover respeito e dignidade aos povos originários e comunidades tradicionais, pilares da doutrina social da Igreja. “Este evento buscou visibilizar violações de direitos e construir soluções junto a autoridades, como a Defensoria Pública e o Ministério Público. As denúncias apresentadas durante o seminário serão encaminhadas para possíveis ações judiciais”, explicou.
As discussões trouxeram à tona várias formas de violência enfrentadas por essas comunidades, como a patrimonial, pela invasão de terras, e a física, com casos de agressões. “Há ainda a violência cultural, quando a sociedade, incluindo cristãos, não reconhece as raízes culturais desses povos. Eles são os legítimos guardiões desta terra, com uma história anterior à colonização portuguesa”, acrescentou o Dr. Carlos Wagner.

O seminário teve programação aberta ao público, com atividades durante todo o dia. A abertura oficial foi conduzida pelo padre Tony Batista, Vigário Episcopal para Ação Sociotransformadora, que destacou a relevância de valorizar a cultura indígena. “Esse encontro é um ato de justiça e resgate. Nossa história não começou com a chegada dos portugueses; havia povos habitando esta terra muito antes. Hoje, buscamos escutar verdadeiramente seus anseios, sonhos, e até sua indignação”, afirmou o sacerdote.
Entre os participantes, estiveram líderes espirituais e curandeiros de várias regiões do estado, como o Pajé Vitor, da aldeia Canto da Vasa, em Piripiri. Ele enfatizou a importância do evento para a defesa da natureza e espiritualidade indígena: “Estamos aqui para compartilhar nossa luta pela mãe-terra, a medicina tradicional e a espiritualidade com as futuras gerações”.

O Cacique Antônio James, vindo da cidade de Bom Jesus do Gurguéia, no sul do Piauí, salientou que o evento representa um marco para as comunidades indígenas da região. “Estamos aqui reivindicando nossos direitos. Esperamos que este seminário fortaleça nossa voz para que nossos direitos sejam respeitados”, pontuou. Apesar de cético devido a promessas não cumpridas ao longo dos anos, o cacique demonstrou confiança nos resultados do encontro.



