Neste mês de novembro, o Papa Francisco dedicou atenção àqueles que sofrem com o luto, em especial aos pais que enfrentam a difícil perda de um filho. Em uma reflexão sobre o tema, a psicóloga e especialista em tanatologia, Silvana Lavor, traz uma análise profunda sobre o processo de luto e como ele é vivenciado por diferentes pessoas.

Segundo ela, o luto vai muito além da perda por morte e é um processo natural e universal. Desde os primeiros estudos de Sigmund Freud em 1915, ele é compreendido como uma resposta natural e necessária a uma perda significativa. “Se há um vínculo e você perdeu essa pessoa, haverá um processo de luto, que é inerente ao ser humano. Ele pode ser desencadeado por outras perdas além da morte, como o fim de um relacionamento ou a perda de uma oportunidade importante”, explicou.
A psicóloga menciona também o trabalho da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, que observou pacientes em fase terminal e identificou reações emocionais que ficaram conhecidas como as “fases do luto”: choque, raiva, barganha, depressão e aceitação. “Essas fases, no entanto, não ocorrem de maneira linear. O luto é como uma gangorra, com altos e baixos, onde os sentimentos oscilam bastante”, acrescentou. Para ela, entender essa oscilação é essencial para evitar expectativas equivocadas sobre como o enlutado deve lidar com a perda.
A espiritualidade como apoio
Para os enlutados, especialmente os pais que perderam filhos, a espiritualidade pode ser um recurso de enfrentamento importante. Silvana destaca que a religiosidade pode funcionar como um “fator de proteção”, fortalecendo a pessoa nesse processo. “Mesmo com fé, é comum que muitos enlutados vivenciem um momento de crise espiritual, com dúvidas e até um “conflito com Deus”. No entanto, quem possui uma prática religiosa consolidada, essa fase tende a ser superada, transformando-se em um apoio valioso”, afirmou. Outro ponto importante é o papel da comunidade religiosa, que proporciona um amparo social significativo.
A psicóloga finaliza orientando a importância de respeitar o tempo e as necessidades de cada indivíduo. “Cada enlutado tem suas próprias demandas: alguns preferem silêncio e introspecção, enquanto outros buscam manter-se ocupados. Muitas vezes, apoiar pode significar apenas estar presente, ajudando com necessidades práticas do dia a dia, como fazer compras, ou ouvindo respeitosamente quando há um desejo de compartilhar memórias de quem partiu”, concluiu.
Ouvir o outro com empatia e sem julgamentos, acolhendo sua dor e respeitando a singularidade de sua experiência, é essencial para apoiar quem enfrenta o difícil processo do luto. Quando necessário, é recomendável que essas pessoas também busquem o acompanhamento de um profissional da saúde mental, ajudando-as a encontrar caminhos para uma melhor qualidade de vida após essa jornada de perda.