Na noite desta quinta-feira (23) a Arquidiocese de Teresina iniciou a segunda turma do curso Fé e Política, da Escola Dom Miguel Câmara, com a Aula Magna, no Auditório Paulo VI. De iniciativa do Vicariato para a Ação Sociotransformadora, a escola nasce com o objetivo de promover reflexões sobre o papel dos cristãos na vida pública e fortalece o compromisso da Igreja de Teresina com a sociedade.
Para o diretor da escola, diácono Gustavo Silvano, o curso se propõe a pensar junto aos alunos a política enquanto caridade e destaca as discussões à luz das escrituras como principal ferramenta.
“Os alunos vão discutir política à luz do Evangelho e à luz da doutrina social da Igreja, visando pensar de acordo com Papa Francisco: “A política é a forma mais nobre e mais alta de caridade”. Por isso, é um compromisso da nossa Igreja que essas discussões estejam presente na vida das pessoas, para que a gente possa sempre pensar a política como esse movimento em prol do bem comum, em prol da própria sociedade, para que a gente possa viver aqui o Reino de Deus”, comenta o diácono.

O diretor também enfatiza o papel dos alunos nas comunidades e na sociedade enquanto disseminadores da consciência social e política. “Como se trata de um curso de formação, a nossa intenção é que tudo o que for discutido, aprendido e compartilhado seja também disseminado nas comunidades, nas paróquias, para que cada paróquia e comunidade possa também fazer um momento de estudo, que é tão importante nos dias de hoje, onde tantas vezes escutamos vozes que dizem que fé e política não podem se aproximar”, explica.
A Aula Magna teve como tema “Fé e Política” e contou a participação do desembargador do TJ-PI, Ricardo Gentil Eulálio, que analisou sob a ótica cristã católica a realidade política vivida pelo Brasil, pontuando a relevante participação da Igreja nesse cenário.
“A fé nos ajuda a entender os fenômenos políticos e aplicá-los de acordo com os ensinamentos do Evangelho, e isso nos fortalece para enfrentar essa realidade que hoje é muito caótica. O que a gente tenta mostrar aqui é que o cristão católico, diante desse quadro, tende a ter duas posições: uma posição é de rejeição total da política, dizer que a política não o representa, e a outra é aderir ao debate de forma truculenta. Então, a Igreja, nesse processo, não estimula nenhuma dessas duas posições, ao contrário, ela mostra que é possível haver a convergência e que a rejeição não é o caminho”, explica o desembargador.

Os alunos da segunda turma da escola participaram da aula e expressaram a alegria do início das aulas. Para o intérprete de Libras, Fabrício Oliveira, o incentivo para se inscrever veio de colegas que estiveram na primeira turma. “Colegas que fizeram parte da turma anterior me indicaram a escola. Eu sou um jovem com caminhada na Igreja, mas não sou muito ligado à política, eu tinha um pouco de preconceito. Então, acredito que esse curso vai me ajudar bastante a ampliar a minha visão. Quero conciliar a minha caminhada de Igreja com a política e as minhas expectativas são as melhores possíveis”, comenta.

O coordenador do serviço “Levanta-te e vem para o meio” e aluno da segunda turma, Marcos Júnior, aponta a escola como a concretização do sonho de Dom Miguel Câmara, sendo essa a sua principal motivação para participar do curso. “A gente se sente seguro e ansioso para que comece logo as aulas, para que a gente possa estar bebendo de tanto conhecimento que aí nos espera. E para sermos, através da fé, esse sal, esse fermento para iluminar também essas discussões políticas que estão tão polarizadas no nosso meio”, pontua.
A primeira aula do curso Fé e Política inicia dia 09 de maio, em formato presencial, das 9h às 12h, no Centro Pastoral Paulo VI. A turma irá discutir temáticas focadas na transformação social, como a doutrina social da Igreja, ética e participação política, cidadania e controle social, políticas e bem comum.
Os interessados ainda podem realizar a sua inscrição no site da Escola Dom Miguel Câmara. Mais informações: (86) 8815-7670.





