Dos dias 29 de março a 05 de abril, a Arquidiocese de Teresina vivenciou a Semana Santa, tempo central da fé cristã que recorda a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. O ponto alto foi o Tríduo Pascal, iniciado na Quinta-feira Santa (2) e concluído no Sábado Santo (4), com celebrações que conduzem os fiéis à reflexão sobre o caminho de Cristo até a vitória da vida sobre a morte.
Dom Juarez Marques, arcebispo de Teresina, presidiu todas as celebrações na Catedral Nossa Senhora das Dores, sede da igreja católica na capital.
Quinta-feira Santa: convite à humildade e ao serviço
O Tríduo Pascal teve início na Quinta-feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor. Este dia nos convida a mergulhar no mistério do Amor que se faz serviço, doação e presença real.
Dom Juarez destaca três aspectos centrais desta celebração: a instituição da Eucaristia, a instituição do Sacerdócio Ministerial e o mandamento do amor. “Jesus dá o testemunho de amor e de serviço, porque toda a sua vida foi uma doação em vista da salvação da humanidade, por amor e obediência ao Pai e por amor à humanidade. ‘Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim’ e nos deu essa grande prova de amor”, enfatiza.

O arcebispo também destaca a humildade de Jesus ao inclinar-se para lavar os pés dos apóstolos, comparando esse gesto com a vivência dos fiéis nas comunidades. “Jesus quer dizer que nós também na comunidade devemos viver esse amor, superando toda espécie de divisão da comunidade, toda espécie de superioridade, de ódio. Quando o amor se faz serviço, a comunidade é santificada. Nós somos discípulos e a comunidade é o corpo de nosso Senhor Jesus Cristo, que não pode ser ferido pela nossa arrogância, mas sempre construída a partir da unidade”, explica.
O pároco da Catedral de Teresina, Padre Klebert Viana, explica que o rito do lava-pés foi cuidadosamente preparado de acordo com o tema da Campanha da Fraternidade 2026. “Esse ano, como se tratava de ‘Fraternidade e moradia’, nós escolhemos pessoas que estão em processo de reabilitação, que moravam nas ruas, mas que agora estão acolhidos em casas de tratamento, e pessoas que trabalham com eles”, pontua.

O aspirante na Fraternidade O Caminho, Mateus Felipe Rocha, foi um dos escolhidos para ter os pés lavados e expressa com alegria a oportunidade de ter vivido esse momento. “Ter os pés lavados pelo bispo foi perceber qual é o sentido da minha vida. Deus chama a gente a trabalhar, a servir aos pobres, ver esse gesto de humildade renova a nossa fé e a nossa caridade. É aprender a servir, é aprender a amar e aprender a olhar pra todos assim como o Senhor Jesus mandou e nos deixou de exemplo”, expressa.
Sexta-feira Santa: expressão do amor de Cristo
A Sexta-feira Santa foi marcada pelo silêncio dos fiéis que se reuniram aos pés da Cruz para adorar o sacrifício de Jesus. Às 15h, hora que Cristo deu sua vida pela humanidade, celebrou-se o mistério da Redenção por meio da Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor. A celebração convida os cristãos a refletirem o sentido da morte de Cristo por meio da narração da Paixão, das preces da Oração Universal e do tradicional beijo da Cruz. Em seguida, toda a Igreja saiu pelas ruas do centro da cidade até a Igreja São Benedito na procissão do Senhor Morto, revivendo o cortejo e sepultamento de Jesus.

Dom Juarez Marques enfatiza que apesar do doloroso calvário vivido por Cristo, a cruz não é símbolo do fim. “A celebração passa pelo mistério da paixão e da morte, da cruz, mas a cruz é a glorificação de Deus, na cruz acontece a morte de Cristo, Ele diz ‘É a minha hora de glorificar o Pai’. Na cruz Jesus é glorificado e Ele quer que nós também, discípulos batizados nele, participemos dessa sua glorificação”, destaca.
Para Renata Rian, da Comunidade Católica Shalom, a Sexta-Feira Santa é um dos momentos mais importante para os católicos. “É uma alegria imensa participar desse momento da cruz, dessa celebração que muito nos toca e nos mostra Aquele que tanto nos amou. Deus pode tudo e Ele que nos ajuda a carregar a nossa cruz”, expressa.
Após a celebração, Cleidimara da Silva, destaca que a morte de Jesus foi prova viva do amor de Deus pela humanidade. “Pra mim é um momento muito significativo porque foi o amor d’Ele derramado na cruz, foi tudo que Ele nos deu. Todas as solenidades são emocionantes, mas essa pra mim é a mais especial porque foi o amor verdadeiro por mim e por todos”, afirmou a técnica em enfermagem.
Sábado Santo: a esperança no Ressuscitado
O Sábado Santo evoca nos fiéis o sentimento da esperança; a esperança na ressureição. Ao lado de fora da Catedral Nossa Senhora das Dores, o Círio Pascal foi aceso e anuncia que Cristo, a Luz do Mundo, dissipou as trevas e venceu a morte. A liturgia convida os fiéis a mergulharem na história da salvação, desde a criação do mundo à ressureição, e ao entoar do Glória a Igreja exulta de alegria pela Páscoa de Jesus.

Dom Juarez menciona que, apesar das fragilidades e dos pecados humanos, Jesus não desampara seus filho. “Nós devemos, numa atitude de escuta, seguir Jesus Cristo, que conduz a sua cruz para a paixão, para a crucifixão, e ali Ele vai morrer. Porém, nós estamos também esperançosos de que Ele vai ressuscitar, até aquele dia em que Ele ressuscitado, viverá entre nós para sempre”, explica.
A Igreja convidou os cristãos católicos a viver, de modo especial, a mãe de todas as liturgias: a Vigília Pascal. Esta celebração tornou-se ainda mais especial àqueles que receberam os sacramentos da Iniciação à Vida Cristã (IVC).

O catequizando Caio Nunes recebeu o Batismo, a Eucaristia e o Crisma, e expressa a alegria de viver esse momento durante a Vigília Pascal: “Eu acabei deixando tudo isso para um outro momento e agora esse momento chegou. Estou muito feliz em poder realizar os sacramentos e poder participar dessa celebração. Não há palavras que possam descrever o que estou sentindo nesse momento”.
A catequista da Catedral Nossa Senhora das Dores, Aldeci Dantas, explica que a caminhada dos catequizandos não finaliza com os sacramentos e que a Vigília Pascal é um convite ao aprofundamento. “Eles percorrem um itinerário e, ao longo desse caminho, recebem os tesouros da nossa fé. A celebração não termina a caminhada, porque a gente entra em um tempo de direcionamento para poder vivenciar os sacramentos recebidos”, pontua.
O Tríduo Pascal renova a vivência cristã dos fiéis a partir da mística da paixão e ressureição de Cristo. Além disso, é um convite para permanecer na escuta da Palavra e na experiência da Eucaristia, presentes de Deus para a humanidade.





























