O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) e a Arquidiocese de Teresina firmaram na manhã desta terça-feira (16), um acordo de cooperação para fortalecer a Busca Ativa Escolar e garantir o direito à educação de crianças e adolescentes que estão fora da sala de aula. A iniciativa pretende formar lideranças religiosas e agentes pastorais para identificar casos de evasão e risco de abandono, encaminhando-os às instâncias responsáveis pela reinserção escolar.
De acordo com dados do UNICEF, mais de 10 mil crianças e adolescentes estão fora da escola no Piauí. A parceria busca envolver paróquias, catequistas, padres, religiosos e pastorais da Igreja Católica, com atuação nos 30 municípios que integram o território da Arquidiocese de Teresina, para ampliar a rede de proteção e inclusão.
O arcebispo de Teresina, Dom Juarez Marques, destacou que a iniciativa reforça a missão da Igreja de promover a dignidade humana e contribuir para a transformação social. “É com grande alegria e senso de responsabilidade que nos unimos ao Tribunal de Contas do Estado nesta iniciativa tão necessária e urgente. A Igreja tem por missão anunciar o Evangelho, mas também zelar pela dignidade de cada pessoa. E a educação é um direito fundamental, que abre portas para a liberdade, para a cidadania e para uma vida mais justa”, afirmou.

Dom Juarez também ressaltou que a parceria fortalece a atuação da Igreja na proteção dos mais vulneráveis. “Essa parceria é um exemplo concreto de como a fé e as políticas públicas podem dialogar e se complementar no cuidado com os mais vulneráveis. A Igreja quer ser ponte, quer ser voz, quer ser presença nas comunidades, ajudando a identificar quem está fora da escola e promovendo caminhos de reintegração. Nosso desejo é que essa ação seja uma semente de transformação, para que nenhuma criança seja esquecida e que a esperança alcance todos os lares. Educar é evangelizar”, enfatizou o arcebispo.

O conselheiro Kennedy Barros, destacou a importância da união entre Igreja e Estado na defesa do direito à educação. “A gente sempre ouve dizer que não existe revolução sem educação. Revolução aqui no sentido de permitir que as pessoas alcancem posições elevadas no campo do conhecimento. Agora, imagine a discussão sobre incluir 10 mil pessoas que sequer conhecem uma sala de aula. Isso, por si só, mostra o tamanho do problema e da exclusão social que ainda existe em nosso país”, afirmou.
Para o conselheiro, a cooperação com a Igreja é fundamental para ampliar o alcance das ações. “Em boa hora vem essa reflexão e essa parceria com a Igreja Católica, uma instituição altamente acreditada, e com Dom Juarez, que dispensa comentários. Nós, faremos o monitoramento dessa situação para que essa ação seja plenamente atendida. E, de forma coletiva, vamos conseguir”, acrescentou.

O diretor de Fiscalização de Políticas Públicas do TCE-PI, auditor Gilson Araújo, também reforçou que a iniciativa deve mobilizar diferentes setores da sociedade. “Esse é o pontapé inicial de uma parceria que pode ser feita com várias instituições, porque aqui o que a gente quer é despertar em toda a sociedade, toda a comunidade, que a obrigação de ter e de resgatar essas crianças para a escola é de todos”, explicou.
Segundo ele, a presença da Igreja nos territórios pode ser decisiva para identificar famílias e crianças em situação de vulnerabilidade. “A gente espera que, na catequese, na Igreja, nos espaços pastorais, possam identificar essas famílias, essas crianças e fazer a busca ativa, tentar entender por que aquelas crianças não estão na escola e, junto com o Tribunal de Contas, com o município, com o Estado e com a gestão, tentar achar formas de trazê-las para a escola”, pontuou o auditor.
O projeto prevê formações, produção de materiais didáticos, monitoramento dos encaminhamentos e a exigência de matrícula escolar em atividades pastorais voltadas a crianças e adolescentes. A expectativa é que a iniciativa contribua para reduzir os índices de exclusão escolar no Piauí e se torne uma experiência de referência para outros estados.

