Na última sexta-feira (13), a Arquidiocese de Teresina celebrou a formatura da primeira turma da Escola de Formação Fé e Política Dom Miguel Câmara. Após um ano de formação, cerca de 30 alunos concluíram o curso, dedicado ao estudo da relação entre fé e política à luz da Doutrina Social da Igreja e do compromisso cristão com a promoção do bem comum.
De iniciativa do Vicariato para a Ação Sociotransformadora, a escola nasceu com o objetivo de promover debates e reflexões sobre o papel dos cristãos na vida pública, inspirada nos ensinamentos de papas como Pio XI, Paulo VI e Papa Francisco, que reforçam a participação política como expressão de responsabilidade cristã e serviço à sociedade.
Para o diretor da escola, padre Tony Batista, a formatura da primeira turma é momento de alegria e de vitória para a Arquidiocese de Teresina.
“Nós vivemos em um mundo de muita apatia e de muita indiferença, e, por isso, não podemos viver sem a política. Política é o zelo, é o trato do bem comum, é o trabalho pelo povo, isso é uma vocação. Se eu tenho fé em Cristo Jesus, que se fez pessoa humana, igual a nós em tudo, com exceção do pecado, Ele, como pessoa humana, é um ser político. Então, os discípulos Dele têm essa dimensão política da fé, do cuidado com o povo, do zelo pela coisa pública”, explica o diretor.

De acordo com Dom Juarez Marques, arcebispo metropolitano de Teresina, a formatura da primeira turma é um sonho realizado e se confirma como uma realidade permanente para esta Igreja Particular.
“Fé e política são duas realidades humanas e essenciais na organização da sociedade, por isso, quando nós suscitamos uma Escola de Fé e Política queremos colaborar para que as pessoas assumam essa dimensão política e a concebam à luz da fé. Esta escola também se realiza com o desejo de fazer com que as pessoas assumam os dois aspectos fundamentais da vida da política, sobretudo no nosso país: os aspectos da representatividade e da participação”, afirma o arcebispo.

Na celebração de conclusão da turma, Dom Juarez Marques reconheceu o empenho de toda a equipe neste um ano de formação dos alunos. “Eu agradeço muito ao padre Tony e a toda a comissão que assumiu para valer esta bandeira de realizar a escola e peço que continuem. Vamos continuar porque nós não podemos parar enquanto houver a necessidade de correspondermos ao nosso plano de evangelização, de anunciar a boa nova de nosso Senhor Jesus Cristo”, agradeceu.

Durante um ano, o programa da escola abrangeu uma variedade de temas essenciais para a compreensão da realidade social e política à luz da fé cristã. Foram abordados conteúdos como a Doutrina Social da Igreja, políticas públicas, direitos humanos, participação cidadã, economia solidária e ecologia integral por meio de 12 disciplinas.
O jornalista e professor, Zózimo Tavares, que esteve na mesa de honra representando todos os docentes, ressalta que a escola motivou e preparou os estudantes a conhecerem e a participarem da política de forma ativa.
“Esta cerimônia é um momento também de agradecimento aos que acreditaram na ideia. Começando pelo arcebispo de Teresina, Dom Juarez Marques, que abraçou este projeto desde o primeiro momento e, como testemunho da crença dele, foi professor de uma das disciplinas. Ao padre Tony também, entusiasta de primeira hora, e todos os professores da Universidade Federal do Piauí, da Academia Piauiense de Letras, do ICESPI, que vieram somar conosco aqui nessa caminhada”, agradece o professor Zózimo.

Conforme o professor universitário e orador da turma, João Luís Ribeiro, a Escola de Formação Fé e Política proporcionou, para além dos estudos teóricos, espaços de discussão acerca das questões sociais atuais.
“Fazer um curso da nossa igreja para discutir não só a estrutura da nossa fé, mas os documentos da igreja, para não ser uma coisa sobrenadante, e fazer a conectividade disso com a estrutura social, embasado pela política, para mim, foi algo extremamente empolgante e desafiador. E foi uma honra quando a turma me escolheu para ser o orador, para escorrer exatamente a nossa caminhada nesse processo de aprendizado”, expressa.
Para outros alunos, a iniciativa foi a oportunidade para retomar os estudos e para conhecer o interior da política. “É um momento importante em que a gente comprova que nunca é tarde para aprender e que a política é uma coisa que se renova, que se reinventa e a gente tem que acompanhar. É preciso participar e reivindicar mais, porque hoje a gente já sabe os caminhos mais efetivos dentro da política”, elencou a professora aposentada e aluna da turma, Albertina Gonçalves.







