Na noite desta quarta-feira (13), a Escola de Fé e Política Dom Miguel Câmara promoveu o seminário “Mídias Sociais e Política”, um encontro voltado à reflexão sobre o impacto das plataformas digitais no cenário político atual. O objetivo foi estimular a formação crítica e ética dos cidadãos diante dos desafios da era digital.
A iniciativa integra a missão da Escola de capacitar lideranças cristãs para uma atuação social consciente, fundamentada nos valores do Evangelho. O evento contou com a participação dos professores e pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Vítor Sandes e Ana Regina Rêgo, ambos especialistas no tema.
Para a professora Ana Regina Rêgo, discutir o papel das redes sociais é urgente diante das transformações trazidas pela digitalização da vida. “Vivemos um processo de plataformização que impõe não apenas um novo modo de estar no mundo, mas de existir. Isso altera profundamente as sociedades e afetividades, e traz problemas que não se limitam ao Brasil, mas afetam o mundo todo”, afirmou.

Ela destacou que compreender o funcionamento da internet e das plataformas digitais é fundamental para construir um ambiente online saudável. “O enfrentamento à desinformação exige diálogo e escuta. É preciso entender por que alguém acredita em uma mentira, mesmo diante de provas em contrário, para desmanchar a teia de falsidades que circula nas redes”, explicou.
O professor Vítor Sandes ressaltou que a política é responsabilidade coletiva e deve ser exercida em todos os espaços, inclusive nos ambientes religiosos. “A internet e as redes sociais ampliaram o acesso ao debate, permitindo que qualquer cidadão se manifeste a qualquer momento”, disse.
Apesar dos avanços, Sandes alertou para os riscos da polarização e da propagação de notícias falsas. “Essas plataformas favorecem a polarização e a circulação de fake news, o que compromete a qualidade da discussão no contexto democrático. Por isso, é importante que os cidadãos saibam discutir e estar nesse ambiente virtual que é tão importante nos dias de hoje. Não adianta negarmos a tecnologia, é compreendermos ela e utilizarmos da melhor forma possível”, avaliou.

Ele também observou mudanças no comportamento dos políticos, que passaram a usar as redes não apenas para se comunicar, mas para criar engajamento e prestar contas diretamente ao público. “O que temos observado é que se favorece mais o político comunicador, que sabe se posicionar e se vincular junto aos seus eleitores, diante de uma série de debates que são bem relevantes”, pontuou.
O seminário reforçou que a construção de uma cidadania digital responsável passa pelo desenvolvimento do senso crítico e do compromisso com a verdade. Combater a desinformação e promover o uso consciente das redes sociais são tarefas urgentes para preservar a democracia.


