Com o tema “Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem” e o lema “Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8), a Arquidiocese de Teresina realizou, nos dias 28 e 29 de novembro, o Simpósio Cristológico Arquidiocesano, um dos principais eventos formativos dentro das celebrações do Jubileu 2025. O encontro aconteceu no Auditório da OAB e reuniu mais de 400 participantes para dois dias intensos de formação, espiritualidade e partilha comunitária.

Após o credenciamento, acolhida e um momento inicial de oração, os participantes ouviram a palavra do arcebispo metropolitano, Dom Juarez Marques, que ressaltou o caráter central do evento no calendário jubilar. “O simpósio cristológico está no bojo da celebração do ano jubilar. A temática – centrada em Jesus Cristo e inspirada no Concílio de Niceia – toca diretamente o núcleo da fé cristã, pois esse concílio foi fundamental para estabelecer a verdade a respeito de Jesus Cristo e da fé da Igreja”, afirmou.

O arcebispo também destacou a importância da tradição e da fidelidade ao ensinamento transmitido ao longo dos séculos. “Devemos agradecer àqueles que nos antecederam na fé, os padres conciliares, que colocaram as bases para que hoje nós possamos professar. Sejamos unidos, como é o desejo do coração de Cristo”, pontuou Dom Juarez
O coordenador arquidiocesano de pastoral, padre Edivaldo Barbosa, que também esteve à frente da preparação do evento, explicou que o simpósio foi pensado como o grande ápice do Ano da Esperança. “Esse Simpósio foi um pedido de Dom Juarez à Comissão de Pastoral, onde este evento seria o ápice de todo o Ano da Esperança. Constituímos uma equipe que veio trabalhando mês a mês as atividades alusivas ao ano, e agora culminamos com este grande momento em nossa Arquidiocese”, destacou.

Segundo ele, a expressiva participação demonstra a sede do povo de Deus por conhecimento e aprofundamento espiritual. “Com essa grande participação, que supera as 450 pessoas aqui no auditório da OAB, percebemos que o nosso povo tem sede de conhecer Jesus. Conhecer para amar e seguir Jesus. Quanto mais nos aprofundamos no mistério de Cristo, mais desejamos obedecer à sua vontade”, concluiu.
Concílio de Niceia: fundamento da cristologia
Durante o evento, a professora Natália Oliveira, historiadora e docente do ICESPI, conduziu uma exposição sobre o contexto histórico do Concílio de Niceia, primeiro concílio ecumênico da Igreja, realizado em 325 d.C. Sob convocação do imperador Constantino, Niceia definiu pilares da fé cristã, como a afirmação de que Jesus é “consubstancial ao Pai”, além da formulação do Credo Niceno, da definição da data da Páscoa e de outros cânones fundamentais.

Natália destacou: “Niceia, assim como Constantinopla, Éfeso e Calcedônia, compõe um conjunto de concílios essenciais para a construção do depósito da fé. É fundamental que nós, católicos, conheçamos esse concílio que defendeu que Cristo é homem e é Deus. E, pela feliz coincidência, o nosso pontífice está, nesse momento, na Turquia, visitando as ruínas de Niceia. Então, isso mostra, também, uma unidade da nossa Igreja”, explicou.

Já o conferencista central do simpósio, padre Domingos Barbosa, professor de Teologia Sistemática na PUC Minas, aprofundou a dimensão teológica da cristologia e refletiu sobre sua atualidade. “O cristianismo é Cristo. Fora de Jesus Cristo, não podemos saber nem quem é Deus, nem quem é o homem. O eterno Filho de Deus entra no tempo, se faz carne e habita entre nós. Pela encarnação, contemplamos o modelo de humanidade que Deus nos fez”, reforçou.
Sobre o legado de Niceia, o sacerdote enfatizou: “Esse concílio nos doou o símbolo de fé que rezamos todos os domingos. Celebrar Niceia é fazer memória da beleza, grandeza e profundidade da fé cristã, e nos colocar na trilha de uma Igreja sinodal, de comunhão e participação”, acrescentou.
Experiência dos participantes

Entre os participantes, a coordenadora da Pastoral Familiar, Marinalva Almeida, destacou o espírito de serviço que move as equipes envolvidas na organização. “Somos servos, sempre prontos a ajudar. Estar aqui, ver o auditório lotado e tanta gente participando é motivador. Contribui muito para nossa caminhada como cristãos e como seres humanos”, enfatizou.
O seminarista Matheus Soares, do 4º ano de Teologia, lembrou o significado histórico e espiritual do momento. “É um simpósio simbólico, primeiro pelo Ano Jubilar, e também porque Niceia celebra 1.700 anos. Somos chamados a celebrar e compreender melhor esse concílio que definiu que Jesus Cristo é o Senhor”, finalizou.


Ao longo do simpósio, os participantes vivenciaram conferências, orações, debates e momentos de partilha que uniram reflexão teológica, espiritualidade e vida pastoral. As formações fortaleceram a unidade e reacenderam o entusiasmo missionário na Arquidiocese, oferecendo novos subsídios para uma vivência mais profunda, madura e consciente da fé cristã.


