Com o encerramento do Ano Litúrgico, a Igreja Católica dá início ao Tempo do Advento — um período marcado pela esperança e pela preparação espiritual para celebrar o nascimento de Jesus. O Advento é um convite para que os cristãos vivam profundamente à interioridade, à vigilância e à renovação do coração.
O padre José Enéas, pároco da Paróquia Cristo Libertador, no bairro Renascença, refletiu sobre o significado deste tempo. Segundo ele, o Advento inaugura um novo ciclo na vida da Igreja e propõe uma caminhada de quatro semanas que prepara os fiéis para viver plenamente o mistério da Encarnação. “O Advento abre um novo ano litúrgico na Igreja. É um tempo que antecede o Natal do Senhor e nos coloca em uma dinâmica de preparação para bem celebrarmos o mistério da encarnação”, explicou.
Ele também recordou que o período é dividido em quatro semanas. “Nas duas primeiras, meditamos sobre a vinda escatológica de Jesus, sobre o seu retorno no final dos tempos. Nas outras semanas, refletimos sobre a primeira vinda, o mistério da encarnação, que celebramos no Natal”, acrescentou.
Para o sacerdote, reduzir o Advento apenas a um tempo que “vem antes do Natal” é limitar profundamente a proposta espiritual desse período. “O Advento nos lança numa dinâmica interna, num retorno ao interior para organizarmos o coração para acolher o Senhor que vem. Não é algo tão simples, pois é um movimento de parar um pouco e mergulhar na interioridade. Se não vivermos bem o Advento, não celebraremos tão bem o mistério da encarnação”, destacou.
Entre as práticas que ajudam os fiéis a viver esse tempo com mais profundidade, o padre destaca a oração pessoal e comunitária. “A oração nos lança dentro de nós mesmos, como um convite à interioridade. Se queremos nos preparar bem para o Natal, precisamos rezar muito bem”, afirmou. Ele também mencionou a importância do sacramento da confissão, para aqueles que necessitam, e das orações em família, especialmente por meio das novenas de Natal.
Um dos símbolos mais presentes nas igrejas durante o Advento é a Coroa com quatro velas. O sacerdote lembra que cada elemento traz um sentido próprio. “A coroa tem um formato circular e normalmente colocamos plantas na coloração verde para recordar que o Advento é um tempo de esperança. As quatro velas vão sendo acesas gradativamente para nos lembrar que estamos caminhando dentro de um ciclo. Ao final desse ciclo, acendemos a maior luz, que é o próprio Cristo”.
Vivenciar o Advento também é um convite a desacelerar, especialmente no mundo atual marcado pela pressa, agitação e consumismo. “O Advento vem na contramão disso tudo. Ele nos convida a parar e entender que o nosso tempo também passa pelo tempo de Deus. Não adianta correr sem saber o porquê. Parar, refletir, silenciar não é perder tempo. Às vezes, é justamente isso que nos ajuda a valorizar a vida e não entrar na onda do consumismo desenfreado”, enfatizou.
Ao final da entrevista, o padre José Enéas deixou uma mensagem aos fiéis que desejam viver intensamente esse período de preparação. “O Advento é um tempo que precisa ser bem vivido para que possamos celebrar o Natal do Senhor. Vamos vivendo liturgia a liturgia, semana a semana, com tudo aquilo que a Igreja nos pede. Desde já desejo a todos um Natal abençoado, a partir de um Advento bem vivido e celebrado”, concluiu.