Na tarde do último domingo, 16 de novembro, a Arquidiocese de Teresina realizou o Jubileu dos Pobres, uma celebração que integra a programação do 9º Dia Mundial dos Pobres e está em sintonia com o Jubileu da Esperança 2025. Com o tema “Tu és minha esperança” (Sl 71,5), o evento foi promovido pelo Vicariato Episcopal para a Ação Sociotransformadora, que articula pastorais, movimentos, serviços e iniciativas caritativas na missão de evangelizar e promover dignidade aos mais vulneráveis.

A programação teve início às 15h, na Praça Saraiva, com apresentações culturais preparadas por grupos que atuam diretamente com populações em situação de vulnerabilidade, como a Comunidade Católica Shalom e os serviços da Ação Social Arquidiocesana.


A parte celebrativa teve início com um momento de oração na entrada principal da Praça Saraiva, reunindo participantes de projetos sociais, pessoas em situação de rua, detentos custodiados pela Secretaria de Estado da Justiça e demais participantes. A caminhada seguiu em peregrinação até a Porta Santa da Catedral Nossa Senhora das Dores, conduzida pela cruz do Ano Jubilar. Durante o trajeto, houve a proclamação de salmos e a leitura de trechos da Carta aos Romanos. Na chegada, os peregrinos foram acolhidos pelo arcebispo metropolitano, Dom Juarez Marques, que recepcionou pessoalmente cada participante.

Dom Juarez destacou o sentido profundo da data, afirmando que o Jubileu dos Pobres expressa o desejo do coração de Cristo, que se apresenta como enviado para anunciar a Boa Nova aos pobres. “Este é o verdadeiro jubileu, que proporciona vida, liberdade e esperança aos mais vulneráveis, então nós viemos com esse fortalecimento trazido pelo ano da Esperança”, disse.
Na ocasião, foi lido o Alvará de Soltura que concedeu o regime aberto a 59 detentos após análise criteriosa de seus processos. A iniciativa, fruto de um amplo esforço institucional, envolveu a Secretaria de Justiça, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, Vara de Execuções Penais e diferentes órgãos do sistema penitenciário.
Para o arcebispo, o retorno dessas pessoas às suas famílias representa um jubileu de alegria e dignidade. “Lembrando que a Igreja não ‘solta presos’, ela apenas contribui para agilizar processos de pessoas que estavam encarceradas injustamente, sem julgamento. Esse jubileu é de alegria para todos eles, assim como para todos os pobres, representa um momento de esperança e misericórdia”, acrescentou.

O vigário episcopal para a Ação Sociotransformadora da Arquidiocese de Teresina, padre Tony Batista, explicou que o trabalho foi árduo, mas marcado pela cooperação. Segundo ele, todas as autoridades envolvidas mostraram boa vontade, permitindo que o levantamento das pessoas que poderiam ser beneficiadas fosse realizado em tempo recorde. “Não encontrei uma porta fechada. Claro que não foi fácil, mas a boa vontade supera tudo. Então hoje é um dia de alegria, pois são 59 homens voltando para suas casas. O desafio agora é garantir emprego e reinserção, mas a esperança continua”, destacou.

O coordenador arquidiocesano da Pastoral da Rua e coordenador regional da Pastoral Carcerária, padre João Paulo, ressaltou que o Jubileu dos Pobres evidencia o olhar preferencial da Igreja para os mais necessitados, especialmente as pessoas em situação de rua e aquelas privadas de liberdade. “Esta celebração permite que a sociedade enxergue esses irmãos como visíveis e preferidos de Deus, conforme o Evangelho. Jesus ensinou que tudo o que é feito aos pequenos é feito ao próprio Cristo, e a missão dessas pastorais é justamente cuidar dos mais vulneráveis”, enfatizou.
Tereza Maria, voluntária da Pastoral do Povo de Rua e integrante da Pastoral Carcerária, destacou que o momento vivido na Catedral foi um dos mais belos do ano. “Esse momento representa uma esperança concreta para muitos, que agora poderão recomeçar suas vidas ao lado da família e terão oportunidade de se reinserir na sociedade. Nosso objetivo é incluir, não excluir. Essas pastorais levam não apenas assistência, mas a palavra de Deus, a presença e o cuidado que fortalecem cada um deles”, finalizou.

A ação foi organizada pelo Vicariato da Ação Sociotransformadora, na busca por reforçar o compromisso da Arquidiocese de Teresina em unir toda a Igreja local em um renovado espírito de comunhão, fraternidade e cuidado. O evento se torna um marco de esperança, justiça e reconstrução de vidas.

