
No dia 16 de setembro, o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) firmou uma parceria inédita com a Arquidiocese de Teresina para combater a exclusão escolar e garantir o direito à educação de crianças e adolescentes. O acordo busca unir esforços entre instituições públicas e religiosas na identificação e reinserção de estudantes que estão fora das salas de aula.
De acordo com o auditor de fiscalização de políticas públicas do TCE-PI, Gilson Araújo, a iniciativa surge de uma preocupação compartilhada. “Essa é uma parceria inédita dos Tribunais de Contas, e especificamente aqui no Piauí, para discutir e tentar combater um problema público que afeta mais de 10 mil crianças e, consequentemente, suas famílias”, explica.
O trabalho será realizado por meio da Busca Ativa Escolar, plataforma disponibilizada pelo UNICEF, que permite cruzar dados do CadÚnico e do Ministério da Educação para identificar, em cada um dos 224 municípios piauienses, quantas crianças e adolescentes estão fora da escola.
“A partir dessas informações, levamos para cada município o tamanho real desse problema público. As crianças, a partir da pré-escola, têm matrícula obrigatória, então o desafio é garantir que todas estejam efetivamente frequentando a sala de aula”, destacou Gilson.
Além do mapeamento, o projeto prevê capacitações e sensibilização de lideranças religiosas e agentes pastorais, para que possam identificar situações de vulnerabilidade e atuar como multiplicadores dessa causa. “Nós já temos participado de momentos de formação na Arquidiocese e em paróquias do interior. Toda a comunidade cristã precisa entender sua responsabilidade e o papel da Igreja nesse processo”, disse.
O TCE e a Arquidiocese também estão elaborando um guia orientador, que deve servir como protocolo de ação para os agentes envolvidos. “Não basta apenas identificar a criança. É preciso direcioná-la, ou encaminhar sua família, às autoridades competentes. Estamos construindo um guia para que cada pessoa saiba qual é a sua responsabilidade e o que fazer quando encontrar uma criança fora da escola”, completou o auditor.
Para Gilson, a escola deve ser compreendida como um espaço de proteção integral. “A escola é um local sagrado. É onde a criança recebe atenção, carinho, proteção e o conhecimento necessário para se tornar um cidadão ativo. Muitas vezes, é também o local onde ela faz sua primeira e única refeição do dia”, reforçou.
A proposta da parceria é transformar a fé em ação concreta, chamando cada cristão a contribuir nesse processo. “Conclamo todas as pessoas a identificarem seu papel. Às vezes essas crianças estão ao nosso lado, frequentando a igreja, e não conseguimos ver. Precisamos agir com olhar atento, humanitário e cristão”, concluiu o auditor.