
Com o avanço das tecnologias, a internet tornou-se um novo meio de evangelização, assumindo o papel de uma forte ferramenta para a propagação da mensagem de Jesus Cristo. Em entrevista para o programa Em Tuas Mãos, o padre Estevão Prondi, coordenador regional para a Animação Bíblico-Catequética, refletiu sobre os desafios e possibilidades da catequese no mundo digital.
Segundo o sacerdote, a cultura digital pode ser compreendida como uma “nova praça pública”, onde as pessoas se encontram, expressam opiniões e convivem. Nesse espaço, a evangelização encontra oportunidades, mas também exige cuidados. “Precisamos ter muito cuidado com o modo como colocamos ou dizemos a Palavra de Deus por lá. Muitas vezes, ela pode ser colocada em segundo plano diante de tantas informações. Nós podemos evangelizar nas mídias sociais através de um vídeo ou de uma fala, mas também através de vários encontros de comunidades afins”, destacou.
Para ele, o excesso de conteúdos pode dificultar a compreensão aprofundada da mensagem cristã. “A inteligência artificial, por exemplo, organiza informações de forma rápida. Mas, se não sabemos como utilizá-las, ficamos apenas no campo da desinformação”, explicou.
Padre Estevão também reforçou que os encontros online não substituem a vivência comunitária, mas devem servir de ponte para ela. “Todo encontro nas mídias quer provocar um encontro presencial ou pessoal. No tempo da pandemia, por exemplo, nós utilizamos a tela para o encontro. Hoje, após a Covid, nós podemos utilizar essa tela para informar, para convidar e até mesmo para formar. Mas, depois disso, nós temos que trazer todos para o centro ou para o meio da comunidade, seja ele virtual ou não”, afirmou.
Questionado sobre a preparação dos catequistas diante deste novo cenário, ele ressaltou que a maioria já está inserida na era digital, especialmente os mais jovens. “Eles têm uma boa compreensão do que podem ou não fazer. Agora, é momento de aprimoramento e de utilizar essas ferramentas para tornar Jesus mais amado e conhecido”, disse.
A Igreja tem investido em formações que superam barreiras geográficas, alcançando até comunidades mais distantes. Um exemplo é a Escola de Discípulos, presente em várias dioceses, que utiliza a tecnologia para capacitar catequistas e agentes pastorais. Ele destacou ainda a experiência da Pastoral dos Surdos, que promove encontros virtuais e garante inclusão mesmo diante da falta de intérpretes presenciais.
Sobre o futuro, padre Estevão acredita que a catequese deve caminhar em sintonia com os avanços tecnológicos, sem perder o foco na missão de evangelizar. “A tecnologia é nossa aliada. O Papa Francisco já nos lembrou que, por trás da inteligência artificial, existe sempre uma inteligência humana. Precisamos nos aprimorar desta tecnologia para que a Palavra não fique restrita a um território, mas alcance a tantos”, concluiu.