Na manhã do último sábado, 23 de agosto, aconteceu o lançamento da obra “Diálogo, Modernização e Conflito: uma biografia do Cardeal Dom Avelar Brandão Vilela”, na Academia Piauiense de Letras, escrita pelo professor e historiador Grimaldo Zachariadhes. O evento reuniu acadêmicos, autoridades religiosas e fiéis em um momento de resgate da memória e do legado deixado por Dom Avelar.

O arcebispo de Teresina, Dom Juarez Marques, destacou os 15 anos de atuação do cardeal na capital piauiense. “Dom Avelar Brandão Vilela foi arcebispo em Teresina, o segundo depois de Dom Severino, durante 15 anos. A partir do seu lema evangelizar e humanizar, ele deixou um grande legado”, afirmou.

Segundo Dom Juarez, o testemunho do ex-arcebispo permanece vivo tanto na Igreja quanto na sociedade. “Pelo seu testemunho, pela sua capacidade missionária de ser pastor presente, pela sua sensibilidade em todos os aspectos, do ponto de vista religioso, mas também social, Dom Avelar marcou profundamente nossa Arquidiocese. A evangelização comporta a humanização, e humanizar é incluir no bojo da Igreja e da sociedade os pequenos, os pobres, a todos, com preferência pelos mais necessitados”, ressaltou.
A obra de Grimaldo Zachariadhes percorre a trajetória religiosa, política e social de uma das figuras mais influentes da Igreja Católica no século XX. O autor explicou sua motivação para a pesquisa. “O que me motivou a escrever sobre Dom Avelar é o sul da Bahia, onde ele foi bispo. Quando comecei meu estudo sobre a ditadura militar, percebi a importância que ele teve naquele momento. Ele tinha uma forma de trabalhar muito diferente de outros bispos, e isso fez com que crescesse muito”, relatou.

Grimaldo acrescentou que o impacto do cardeal foi além das fronteiras baianas. “Ao estudar cada vez mais a vida de Dom Avelar, vi a importância que ele teve não só na Bahia, mas também em Teresina e em Petrolina. Havia muito pouco estudo sobre a vida desse cardeal, que marcou a história da Igreja na América Latina e nos estados onde atuou”, afirmou.
Para o escritor, Dom Avelar foi uma liderança capaz de dialogar em tempos de conflito e modernizar a Igreja. “Ele foi um dos principais bispos que lutou pela implementação do Concílio Vaticano II na América Latina. Durante a ditadura militar, exercia um papel que hoje faz falta, de um moderador. Ele tinha uma autoridade moral tamanha que todos paravam para ouvir, independentemente do espectro político. Quando havia greve ou invasão de terras, ele era chamado. E quando chegava, até a repressão recuava. Isso falta hoje. Dom Avelar nos faz repensar, pois ele caminhou sempre pelo centro e deixou sua marca nas arquidioceses por onde passou”, concluiu.
O padre Tony Batista, imortal da Academia Piauiense de Letras e que conviveu de perto com Dom Avelar durante seu episcopado em Teresina, também destacou a força social e comunicacional do arcebispo. “É impossível quem viu e quem conviveu com Dom Avelar não trabalhar pela sua memória. Ele foi um trator do bem em Teresina”, disse o sacerdote.
Segundo ele, a chegada do arcebispo foi decisiva para o Piauí. “Quando ele chegou nesse estado, praticamente nós estávamos fora do mapa, porque ninguém conhecia, ninguém vinha aqui, ninguém considerava. E, no primeiro ano em Teresina, no dia de seu aniversário, ele criou logo a ASA, a Ação Social Arquidiocesana, e pulverizou Teresina de obra social. Ele foi um homem gigante, um grande baluarte da comunicação. Nós não podemos esquecer a sua memória”, finalizou.
A obra mantém vivo o legado de um cardeal que marcou profundamente a história do Brasil e do Piauí, unindo a sua importância na evangelização, na ação social e no diálogo em tempos de grandes desafios, permanecendo como inspiração para as novas gerações.

