
A arte, quando colocada a serviço da fé, torna-se um poderoso instrumento de evangelização. E a música, por atingir profundamente a alma humana, ocupa um lugar especial nesse processo. Quem vive isso com intensidade é Dom Pedro Brito, arcebispo de Palmas (TO), que em entrevista ao programa Em Tuas Mãos compartilhou como a música, a poesia e a espiritualidade se conectam com a sua missão sacerdotal.
Natural de Eliseu Martins, no interior do Piauí, Dom Pedro recorda que sua relação com a música começou ainda na infância, em um ambiente de forte devoção popular. “Não sou eu que procuro a música e a poesia. Elas que nos procuram”, disse. Mesmo sem ser musicista, sua mãe cantava os “benditos” durante o trabalho na roça e nas tarefas cotidianas, e foi nesse clima que ele desenvolveu o gosto pela palavra e pela escrita.
Desde cedo, escrevia cartas ditadas pela mãe, endereçadas aos parentes distantes.
A paixão pela música ganhou novos caminhos no Seminário Maior de Fortaleza, onde estudou e viveu experiências marcantes com aulas de música, corais e festivais. Foi lá que nasceu sua primeira composição, A Chuva e o Rio, marco do início de sua caminhada. “Desde então, o dom da composição passou a fazer parte da minha vida, especialmente quando percebi o poder que a arte tem na evangelização”, relembrou.
Ao refletir sobre a música litúrgica, o arcebispo destaca que ela não pode ser dissociada da liturgia, pois é uma parte essencial dela. “Música e liturgia são um casal sem divórcio, e toda oração já carrega em si melodia e sonoridade. Rezar é sonorizar. Quem canta reza duas vezes”, explicou. Ele ressalta, porém, que é preciso respeitar a métrica, a cadência e a espiritualidade do momento litúrgico. “Na liturgia, você pode cantar tudo. Tudo deve ser cantado. Mas, se não souber cantar, reze”.
Sobre o processo de criação de suas músicas, o arcebispo o compara a um parto. “É preciso entrega, disciplina e sensibilidade. Você entra naquele universo e, depois que entra, é difícil sair. É um sofrimento, mas ao mesmo tempo é a coisa mais linda do mundo. Vem automaticamente”, pontuou. Uma de suas composições mais marcantes é “Eis-me Aqui, Senhor”, escrita há quase 40 anos e ainda presente em celebrações e ordenações por todo o Brasil.
Durante sua passagem por Teresina, onde está participando do 5º Congresso Nacional dos Seminaristas (COMINSE), Dom Pedro deixou uma mensagem especial aos jovens vocacionados, incentivando-os a se inspirarem na caminhada do Papa, dos bispos e sacerdotes. “A formação sacerdotal é específica. Ela não é científica ou profissional. Ela cai no nosso coração. A gente entra numa forma, a forma do discípulo missionário de Deus, para tirar o excesso e se recompor”.
Ao final da entrevista, o arcebispo se definiu como autodidata na música e rigoroso com a escrita. “Sou escritor, mas escrevo com cara de música. Há sempre uma música subjacente em minhas poesias”, declarou. Ele também reforçou que os dons podem ser cultivados com esforço e dedicação. “É questão de estudo, treinamento, de perder tempo e ganhar tempo. Assim vamos formando a alma e a vida”, finalizou.
Em Tuas Mãos
A entrevista completa com Dom Pedro Brito você confere no programa Em Tuas Mãos deste domingo (27/07), que é transmitido na TV Meio e também fica disponível no canal do Youtube da Arquidiocese de Teresina.