
Com o tema “Com Maria, somos peregrinos de esperança, construindo a paz!”, a 24ª edição da Romaria da Paz aconteceu no último domingo (18), reunindo centenas de fiéis em um momento de fé, oração e compromisso com a transformação social. A concentração teve início às 16h30, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Redenção, de onde os romeiros seguiram em peregrinação até a Paróquia Santuário Nossa Senhora da Paz, localizada na Vila da Paz.

A Romaria da Paz nasceu em 2001, a partir do desejo do saudoso padre Pedro Balzi. Na época, a Vila da Paz foi escolhida como local do evento por ser uma região marcada por altos índices de violência. Desde então, a iniciativa se consolidou como símbolo de resistência, fé e desejo coletivo por um mundo mais justo e fraterno.
Durante a celebração, o arcebispo de Teresina, Dom Juarez Marques, destacou que a verdadeira paz é fruto do amor, da fé e da justiça social. Em sintonia com o jubileu, o evento deste ano foi também um chamado à reflexão e à ação concreta. “A paz é um dom divino, mas que precisa ser acolhido e cultivado. É também resultado da justiça, como ensina o profeta Isaías. Nosso mundo precisa de paz. Precisamos caminhar juntos como Igreja, dialogando com irmãos de outras denominações religiosas e com todas as pessoas de boa vontade”, afirmou o arcebispo.

Dom Juarez ainda fez um apelo pela superação das realidades que comprometem a construção de uma paz verdadeira, como a violência, a falta de moradia, o transporte precário e o acesso limitado à saúde e à educação. “Há uma grande necessidade de paz, mas ela só será possível com dignidade. Esta romaria é, também, um clamor pelo fim das guerras e divisões em todo o mundo, como nos alertava o Papa Francisco”, concluiu.


O pároco do Santuário Nossa Senhora da Paz, padre Antônio Barbosa, avaliou de forma positiva a edição deste ano, destacando o envolvimento das pastorais, movimentos de evangelização e toda a comunidade. “A participação foi muito bonita. As pastorais se dedicaram com entusiasmo. A comunidade se uniu, colaborou, apoiou. Ver aquelas imagens vivas de pessoas caracterizadas como Nossa Senhora, Sagrado Coração de Jesus, São Cosme e Damião, nos inspira e emociona. É um convite a desejar e a construir a paz”, disse.
O sacerdote também compartilhou relatos de transformação vividos por fiéis ao longo dos anos. “Algumas pessoas já me disseram que, após a Romaria da Paz, passaram a viver em harmonia familiar e até deixaram hábitos nocivos, como o consumo excessivo de bebida alcoólica. Isso mostra o impacto espiritual e social que esse momento proporciona. A romaria planta sementes que, cedo ou tarde, frutificam”.
Entre os inúmeros testemunhos de fé, um casal chamou a atenção pela longa história de participação e envolvimento. Marcones e Socorro Aragão, juntos há 28 anos, acompanham a romaria desde o tempo de namoro. “Desde o início participamos. Ainda namorados, já caminhávamos ao lado do padre Pedro. Agora, com 28 anos de casados, continuamos firmes nessa jornada de fé”, relatou Marcones.
Para o casal, a romaria é mais que uma tradição religiosa. “Ela tem um valor profundo em nossas vidas. É apaixonante! Sempre nos emociona. Quem conheceu o padre Pedro sabe o quanto ele era um homem santo”, destacou Socorro, visivelmente emocionada.
Fiel assídua há oito anos, Maria das Graças também expressou a importância do evento em sua vida espiritual. “Quando não posso vir, por doença ou qualquer outro motivo, eu fico muito triste. A Romaria da Paz é um momento único, de bênçãos e de luta interior. A gente se sente renovada”, afirmou. Ela também ressaltou a força da comunidade: “A multidão vem em peso. Todo mundo espera esse dia com muita ansiedade”, finalizou.

A Romaria da Paz se consolida, ano após ano, como um momento de profunda espiritualidade, mobilização popular e esperança renovada.




